Sexta-feira. Fiquei naquela parte antes do jantar em que era ostracizada por causa dos Black Eyed Peas.
Pois é, depois tudo o resto se passou rápido nesse dia: jantar, ir lá fora ver o mar (uma mancha preta solene indiscernível do céu também ele uma mancha preta solene), ir ao bar que tinha karaoke e acho-que-me-vou-deitar-que-estou-cansada. Fui para a cama em paz: com a These Boots are Made for Walking cantada em karaoke, portanto.
Sábado de manhã chegámos a Riga. Revejo as 12 fotografias que tirei para me lembrar melhor.
Sei que tínhamos umas cinco horas para andar em Riga antes de voltar ao barco.
Pelos vistos os interesses dos compinchas de grupo eram basicamente os mesmos pois que todos seguiam pelas ruas satisfeitos e com os mesmos comportamentos. Um dos compinchas de grupo, o albanês, apoderou-se de um mapa de Riga mal pôs os pés em terra e jamais o largou. Dizia-nos: "vamos seguir este percurso desenhado no mapa que é o percurso para ver as fachadas dos monumentos mais importantes". Seguia sempre à frente, sempre ansioso, sempre sedento de mais fachadas de monumentos. Os outros compinchas, mais preguiçosos, andando lentamente, mais ansiedade despoletavam no jovem albanês sedento de arquitectura.
Sei que andámos muito em círculos e que não andámos nada de especial. Ao vislumbrarem qualquer prédio, por mais vulgar que fosse, todos os compinchas de grupo abrandavam o passo, chegando mesmo a parar. Metiam a mão ao bolso à velocidade da luz e sacavam vigorosamente das máquinas fotográficas. De máquina fotográfica em riste, fotografavam muito durante 10 segundos o mesmo prédio e continuavam depois todos a andar outra vez. Todos com as mesmas fotografias em cada máquina. Fotografias de grupo foram também actividade escolhida pelos compinchas de grupo.
Compinchas de grupo entraram também em cinco lojas diferentes de souveniers: desisti de entrar à segunda pois todas as lojas de souveniers têm exactamente a mesmíssima coisa que todas as outras lojas de souveniers e quem não percebe isso, bem, não sei. Se as lojas de souveniers na Suécia têm Vickings e renas e se as lojas de souveniers em Portugal têm o galo de Barcelos, bonecas russas preenchiam as prateleiras das lojas de souveniers de Riga.
Para além de tempo para tomar o pequeno-almoço num café com bolos bons e visitar uma igreja com um quadro do Lutero na parede, sobrou ainda tempo para almoçar e para ir ao supermercado. Era tempo de voltar para o barco.
Que bom visitar Riga. Ei, já estive em Riga. I had a great time in Riga, exprimem as fotografias das pessoas no Facebook. Às tantas há quem acredite nisso. Mas eu cá sei que nenhum de nós esteve em Riga.
[para finalizar, noite de sábado é brevemente descrita amanhã]
terça-feira, novembro 24, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
Been there, done that: Parte I
Está feito. Já posso criticar, com base empírica, as viagens-relâmpago.
Sexta-feira. São quatro e tal da tarde. Entramos no barco à pressa porque alguém do nosso grupo se atrasou. Um espanhol, diz-se. O barco tem aspecto de anos 70: é uma espécie de hotel com corrimãos dourados e alcatifas em tons bordeaux e azul-escuro com padrões vários. No elevador ouve-se muito baixinho a Jesus to a Child do George Michael.
No caminho para a cabine (quarto?) começo a perceber melhor que o barco é interessante e que aquilo vai ser divertido. Sinto-me num filme de espionagem dos anos 70 sobre a Guerra Fria. Sim, a música do George Michael é anacrónica neste contexto mas nem me lembro disso. Senhores com ar de russos passam por mim e imagino-os a espetarem uma faca disfarçada de telemóvel nas minhas costas e a inserirem um microfone quase invisível no casaco de alguém. O meu companheiro de espionagem, o Paul Newman, espera-me ao pé do elevador no piso 2 de fatinho vestido - imagino eu.
No piso 2 não encontro o Paul Newman à minha espera, claro. Compinchas de grupo e eu dirigimo-nos à cabine onde vamos dormir: tem quatro camas e é minúscula. Imagino que vai ser uma noite horrível.
Vai anoitecendo e vamos espreitando o barco: tem restaurantes, sauna, lojas com chocolates, álcool e perfumes, uns bares e um mini-casino. Alguns compinchas de grupo compram álcool.
Mais tarde, fazendo tempo numa das cabines até que fosse hora de jantar ou assim, com mais quatro compinchas de grupo, sou ostracizada por não conhecer a "I Got a Feeling dos Black Eyed Peas". É um escândalo. Sinto-me leprosa. "Não conheces a I got a Feeling dos Black Eyed Peas? A tua vida é o quê? Faculdade-casa-faculdade? Não vai a discotecas? Nem a lojas? Não sais de casa?", diz o albanês. Sinto que vou ser expulsa da cabine, atirada para o mar.
Ao mesmo tempo que sou ostracizada, os meus compinchas põem música directamente de um telemóvel enquanto falam ao mesmo tempo. Começa a doer-me muito a cabeça e não percebo como é que conseguem fazer isto: falar alto e ao mesmo tempo ouvir música directamente de um telemóvel com aquele som arranhado, horrível e insuportável que quase nem é música - como fazem os chungas que ouvem música no metro e nós temos de gramar com aquilo sem poder dizer nada. Vão pondo músicas e vão-me perguntando se eu gosto das músicas. Para me agradar põem os Killers, uma música mesmo má que quase parece música pimba daquelas mesmo más. Tipo aquela dos humans e dos dancers. Eu vou dizendo que não gosto. Supõem que eu gosto dos Killers porque Killers é música alternativa sendo que para eles eu sou considerada uma pessoa que gosta de música alternativa. Sendo que isso significa gostar dos Radiohead, dos Muse e dos Killers. Como eles não são chungas que vão no metro, na linha vermelha, peço delicadamente para tirarem a música e eles tiram.
[continua amanhã que tenho coisas para ler]
Sexta-feira. São quatro e tal da tarde. Entramos no barco à pressa porque alguém do nosso grupo se atrasou. Um espanhol, diz-se. O barco tem aspecto de anos 70: é uma espécie de hotel com corrimãos dourados e alcatifas em tons bordeaux e azul-escuro com padrões vários. No elevador ouve-se muito baixinho a Jesus to a Child do George Michael.
No caminho para a cabine (quarto?) começo a perceber melhor que o barco é interessante e que aquilo vai ser divertido. Sinto-me num filme de espionagem dos anos 70 sobre a Guerra Fria. Sim, a música do George Michael é anacrónica neste contexto mas nem me lembro disso. Senhores com ar de russos passam por mim e imagino-os a espetarem uma faca disfarçada de telemóvel nas minhas costas e a inserirem um microfone quase invisível no casaco de alguém. O meu companheiro de espionagem, o Paul Newman, espera-me ao pé do elevador no piso 2 de fatinho vestido - imagino eu.
No piso 2 não encontro o Paul Newman à minha espera, claro. Compinchas de grupo e eu dirigimo-nos à cabine onde vamos dormir: tem quatro camas e é minúscula. Imagino que vai ser uma noite horrível.
Vai anoitecendo e vamos espreitando o barco: tem restaurantes, sauna, lojas com chocolates, álcool e perfumes, uns bares e um mini-casino. Alguns compinchas de grupo compram álcool.
Mais tarde, fazendo tempo numa das cabines até que fosse hora de jantar ou assim, com mais quatro compinchas de grupo, sou ostracizada por não conhecer a "I Got a Feeling dos Black Eyed Peas". É um escândalo. Sinto-me leprosa. "Não conheces a I got a Feeling dos Black Eyed Peas? A tua vida é o quê? Faculdade-casa-faculdade? Não vai a discotecas? Nem a lojas? Não sais de casa?", diz o albanês. Sinto que vou ser expulsa da cabine, atirada para o mar.
Ao mesmo tempo que sou ostracizada, os meus compinchas põem música directamente de um telemóvel enquanto falam ao mesmo tempo. Começa a doer-me muito a cabeça e não percebo como é que conseguem fazer isto: falar alto e ao mesmo tempo ouvir música directamente de um telemóvel com aquele som arranhado, horrível e insuportável que quase nem é música - como fazem os chungas que ouvem música no metro e nós temos de gramar com aquilo sem poder dizer nada. Vão pondo músicas e vão-me perguntando se eu gosto das músicas. Para me agradar põem os Killers, uma música mesmo má que quase parece música pimba daquelas mesmo más. Tipo aquela dos humans e dos dancers. Eu vou dizendo que não gosto. Supõem que eu gosto dos Killers porque Killers é música alternativa sendo que para eles eu sou considerada uma pessoa que gosta de música alternativa. Sendo que isso significa gostar dos Radiohead, dos Muse e dos Killers. Como eles não são chungas que vão no metro, na linha vermelha, peço delicadamente para tirarem a música e eles tiram.
[continua amanhã que tenho coisas para ler]
quarta-feira, novembro 18, 2009
terça-feira, novembro 17, 2009
Viagens-relâmpago
Para poder criticar com propriedade, esta sexta-feira faço uma viagem relâmpago a Riga.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Passar a consciencia para o papel enquanto ainda cá está
Não foi o Doctor Phil que me ensinou mas podia ter sido. Já fiz coisas parecidas para fazer trabalhos da faculdade e afianço que resulta.
sábado, novembro 14, 2009
Este foi mesmo diálogo à série de televisão
[Batemos às portas dos vizinhos para eles responderem a um questionário]
Elizabeth: Oh, I'm not gonna knock at her door. You can knock at her door. But then she's gonna want to be friends with you, she's gonna knock at your door, she will want to talk to you...
Sara: No, don't worry. Nobody is ever interested in talking to me, knocking at my door or being friends with me.
Elizabeth: Sara! You're making a projection: it's you who are not interested in others or in talking to others.
Pronto, depois eu olhava para o horizonte e descobria o problema do doente.
Elizabeth: Oh, I'm not gonna knock at her door. You can knock at her door. But then she's gonna want to be friends with you, she's gonna knock at your door, she will want to talk to you...
Sara: No, don't worry. Nobody is ever interested in talking to me, knocking at my door or being friends with me.
Elizabeth: Sara! You're making a projection: it's you who are not interested in others or in talking to others.
Pronto, depois eu olhava para o horizonte e descobria o problema do doente.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Internacionalidade
Mantenho três conversas no Facebook: uma em português, uma em inglês e uma em sueco.
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