Acabo de vir de uma coisa, um espaço com mesas e um palco, em que jovens estudantes iam ao palco e tocavam e cantavam uma ou duas músicas. Uma mostra de talentos, fosse alguém ter talento. Era preciso inscrição prévia.
Quando lá cheguei até fiquei agradavelmente surpreendida, para as minhas expectativas: um rapaz giro, com uma guitarra semi-acústica e o cabelo castanho grande aos caracóis, dizia bem do Neil Young e logo a seguir tocava a My My, Hey Hey. Mas depois a coisa piorou e outras pessoas tocaram aquelas coisas que a pessoa já nem se lembra que existem tipo a Sing sing sing dos Travis. Quem é que se lembra que isto ainda existe? Quem é que se lembra de tocar isto?
Não havia só versões, não senhor, embora a maioria das pessoas tocasse versões. Estavam lá dois colegas da minha turma de psicologia que tocaram originais: um deles tem uma banda que faz música tão vulgar que é incatalogável e o outro tocou uma balada ao piano e parou a meio porque estava mesmo muito barulho. Só por causa disto é oficialmente, a partir de hoje, o B Fachada sueco. Tem uma barbicha e tudo.
sexta-feira, novembro 06, 2009
Pequenas e médias rejeições
Sou a favor das pequenas e médias rejeições. São rejeições romantizadas, afectam o rejeitado de uma maneira positiva porque incitam o rejeitado a viver a rejeição de uma forma criativa (à sua maneira: porque há muitas formas de se ser criativo). Rejeições que moem um bocadinho o rejeitado. Mas o rejeitado, no fundo, até aprecia e agradece a moinha.
Pequenas e médias rejeições põem o rejeitado no seu lugar: há pessoas que achamos interessantes que nos acham desinteressantes. Pode dar-se o caso de o rejeitador nem se ter dado ao trabalho de conhecer melhor o rejeitado, de nem lhe ter dado hipóteses de provar que era interessante. Mas pensar assim é um deslize na conduta ideal de um rejeitado: a auto-comiseração é um requisito na vivência de uma pequena e média rejeição.
Encaixo também nas pequenas e médias rejeições as rejeições implícitas: aquelas em que a pessoa passível de ser rejeitada nem se atreve a comunicar um padrão invulgar de activação do sistema nervoso autónomo ao possível rejeitador pelo perigo eminente, quase certo, de rejeição. O rejeitado põe então em acção o plano r (plano rejeição) e vive para dentro. Assim, todas as possibilidades de episódios que podiam acontecer entre rejeitado e rejeitador têm projecção regular na cabeça do rejeitado.
As pequenas e médias rejeições passam quando passarem, não há pressa, não moem muito, não prejudicam a vivência do rejeitado – até a enriquecem. Provavelmente a seguir a uma pequena e média rejeição vem outra pequena e média rejeição e o rejeitado nem dá por isso de tão boa que é a moinha.
Pequenas e médias rejeições põem o rejeitado no seu lugar: há pessoas que achamos interessantes que nos acham desinteressantes. Pode dar-se o caso de o rejeitador nem se ter dado ao trabalho de conhecer melhor o rejeitado, de nem lhe ter dado hipóteses de provar que era interessante. Mas pensar assim é um deslize na conduta ideal de um rejeitado: a auto-comiseração é um requisito na vivência de uma pequena e média rejeição.
Encaixo também nas pequenas e médias rejeições as rejeições implícitas: aquelas em que a pessoa passível de ser rejeitada nem se atreve a comunicar um padrão invulgar de activação do sistema nervoso autónomo ao possível rejeitador pelo perigo eminente, quase certo, de rejeição. O rejeitado põe então em acção o plano r (plano rejeição) e vive para dentro. Assim, todas as possibilidades de episódios que podiam acontecer entre rejeitado e rejeitador têm projecção regular na cabeça do rejeitado.
As pequenas e médias rejeições passam quando passarem, não há pressa, não moem muito, não prejudicam a vivência do rejeitado – até a enriquecem. Provavelmente a seguir a uma pequena e média rejeição vem outra pequena e média rejeição e o rejeitado nem dá por isso de tão boa que é a moinha.
quinta-feira, novembro 05, 2009
Vulnerabilidade
Nobody cares. Nobody has the time to be vulnerable to each other. So we just go on. I mean, right away our armor comes out like a shield and goes around us and, uh, we become like mechanical men. Yeah. And I called you a mechanical woman, huh? I got news. I'm so mechanical. Honey, it's absolutely ludicrous how mechanical a person can be.
[em Faces do John Cassavetes]
[em Faces do John Cassavetes]
quarta-feira, novembro 04, 2009
Cidade dos duplos
- O funcionário da biblioteca de psicologia é parecido com o Ethan Hawke (o gajo do Before Sunrise e do outro filme)
- Um colega da turma de psicologia é parecido com o Heath Ledger (em versão morena e menos giro)
- Outro colega da turma de psicologia lembrava-me o Beck mas ainda não era bem o Beck que me lembrava: hoje percebi que é uma mistura do Beck e do Wes Anderson (esse gajos até são parecidos)
- Um vizinho ali do prédio ao lado é igualzinho ao Brad Pitt só que é baixinho (esse é que é mesmo igualzinho, a sério, até faz impressão)
- Outro colega da turma de psicologia é parecido com o vocalista dos Muse (em versão loura e um bocado mais giro)
- Um colega da turma de psicologia é parecido com o Heath Ledger (em versão morena e menos giro)
- Outro colega da turma de psicologia lembrava-me o Beck mas ainda não era bem o Beck que me lembrava: hoje percebi que é uma mistura do Beck e do Wes Anderson (esse gajos até são parecidos)
- Um vizinho ali do prédio ao lado é igualzinho ao Brad Pitt só que é baixinho (esse é que é mesmo igualzinho, a sério, até faz impressão)
- Outro colega da turma de psicologia é parecido com o vocalista dos Muse (em versão loura e um bocado mais giro)
terça-feira, novembro 03, 2009
domingo, novembro 01, 2009
1 de Novembro
Como não me lembrar quando o meu problema existencial se gerou verdadeiramente há um ano?
Hoje está um Domingo muito parecido com o Sábado de há um ano atrás. Um Sábado que pareceu um Domingo. Silent and grey. Recapitulo tudo, revejo as imagens todas, passo pelas diferentes etapas, pelo organismo que foi deixando de funcionar progressivamente, e tento sempre pôr-me na cabeça dele, sentir o mesmo que ele terá sentido. Impossível, claro. A morte é um estado para o qual se vai sozinho.
Não me quero distrair porque tenho medo de me esquecer: por isso faço questão em reviver tudo regularmente. Tenho medo de desaprender, de perder a consciência da coisa que verdadeiramente interessa. Posso ser masoquista mas tento também ser estóica. Não quero recalcar: quero entender, aceitar e estar em paz com isso.
Que a morte nos apanhe prevenidos.
Hoje está um Domingo muito parecido com o Sábado de há um ano atrás. Um Sábado que pareceu um Domingo. Silent and grey. Recapitulo tudo, revejo as imagens todas, passo pelas diferentes etapas, pelo organismo que foi deixando de funcionar progressivamente, e tento sempre pôr-me na cabeça dele, sentir o mesmo que ele terá sentido. Impossível, claro. A morte é um estado para o qual se vai sozinho.
Não me quero distrair porque tenho medo de me esquecer: por isso faço questão em reviver tudo regularmente. Tenho medo de desaprender, de perder a consciência da coisa que verdadeiramente interessa. Posso ser masoquista mas tento também ser estóica. Não quero recalcar: quero entender, aceitar e estar em paz com isso.
Que a morte nos apanhe prevenidos.
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